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Você não larga tudo para empreender

Tenho lido muitos conteúdos falando sobre deixar a carreira de lado para empreender, largar tudo e começar de novo. Parece mágico e transformador, mas eu nunca achei isso tão bonito ou vantajoso.

Acredito que ninguém deixa algo, a pessoa apenas transforma a vida a partir do que já foi construído. É como uma evolução, um novo passo e não simplesmente um “larguei tudo”. Dizer que você largou tudo passa a impressão de que o que foi feito anteriormente não teve assim tanto valor ou foi perda de tempo.

Steve Jobs sempre me inspirou a pensar dessa maneira. As aulas de caligrafia do criador da Apple, por exemplo, pareciam algo sem valor na época, mas, no fim, elas foram responsáveis por inspirar grandes mudanças no mundo da informática. Jobs sempre considerou cada ação dele como importante e que tudo não passou de uma transformação e evolução pessoal e profissional.

O tudo que eu não larguei

Quando eu era adolescente, já buscando minha liberdade financeira, fiz de tudo! Fui auxiliar de jardim de infância, vendedora de shopping, recepcionista de eventos, figurante de propagandas, até ingressar na faculdade e começar um estágio em uma agência de comunicação (2005). Em pouco tempo já estava trabalhando em uma das maiores empresas de software do mundo. Lá, cresci, fui efetivada, mas queria mais.

Estabilidade nunca foi o que busquei como prioridade, corri riscos, troquei de emprego, sempre em busca de mais conhecimento e algo que me proporcionasse um maior crescimento pessoal também.

Depois de formada, pós-graduada e há mais de 10 anos trabalhando com Marketing, em agosto do ano passado (2016) eu fui chamada para trabalhar em umas das startups que mais cresce no Brasil. É claro que aceitei! Deixei mais uma vez minha cidade para viver o cargo de líder que tanto almejei e num lugar que tanto sonhei.

Tudo estava aparentemente bem e acontecendo positivamente de forma acelerada. Um mês de aprendizado parecia um ano lá. A equipe que ajudei a construir era maravilhosa, em poucos meses vivenciei nessa empresa o crescimento da área de Marketing, recordes de vendas, participações em grandes eventos e diversas premiações e reconhecimentos.

Além de todo esse contexto favorável, era confortável viver com uma carreira de CLT, com aquela segurança de no final de todo mês receber o meu salário e os benefícios que eles ofereceriam. Mas havia algo que não fazia mais sentido para mim e que estava me tirando o sono. Algo que eu ainda não conseguia explicar.

Os dias começaram a ficar mais cansativos do que o normal e acordar já estava cada vez mais difícil. Comecei então a avaliar toda a minha carreira e percebi que sentia falta de uma coisa que nunca tive em grandes proporções: liberdade.

Em cada empresa obtive diferentes tipos de liberdade, mas, independentemente de qualquer coisa, enquanto CLT, a liberdade que você terá dentro de uma empresa jamais será a mesma de quando você é empreendedor. Cheguei a essa conclusão depois de conversar com algumas pessoas, desde aquelas que começaram agora até as que estão há anos empreendendo.

Percebi também em algumas conversas que eu sempre tive o espírito empreendedor, mas sempre fui empregada. O empreendedor está sempre focado no resultado, em fazer bem feito, está preocupado em colocar novas ideias em prática e em mudar o mundo para melhor. Mas, quando você é empregado, tem menos liberdade para errar, logo, arrisca menos e aprende menos.

Construindo um novo – e desafiador – caminho

É claro que para todo bônus há o ônus. Fomos todos educados para sermos empregados. Afinal, nossos pais nos incentivaram a estudar para quê? Para arrumar um bom emprego.

Além de ter que desconstruir esse pensamento que está presente desde cedo em nossa vida, há também um questionamento enorme sobre segurança e estabilidade, que contribui para que tenhamos receio de empreender.

Mas, vamos para a prática: hoje em dia as contratações não são mais como antes. Não existe segurança total mesmo em um emprego CLT. As demissões acontecem com muito mais frequência e, mesmo que estejamos educados para ter medo apenas do empreendedorismo, a instabilidade está em todas as partes, seja para empregado ou para empreendedor.

Sendo assim, se você quer tanto crescer e evoluir, se a sua vontade de mudar o mundo é latente, então, é preciso lutar pelo caminho que irá trazer isso com mais intensidade e com mais possibilidades de sucesso: empreendendo.

E, lembre-se: você não largou tudo para empreender, você evoluiu.

Artigo publicado originalmente em: https://www.linkedin.com/pulse/voc%C3%AA-n%C3%A3o-larga-tudo-para-empreender-gabi-goncalo?trk=prof-post

Autor: Gabi Gonçalo, colunista e especialista em Liderança e Gestão de Equipes de Marketing para empresas de Tecnologia.

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